Mulheres que inspiram

2021-03-15

Historicamente, as mulheres foram padronizadas, objetificadas e reduzidas a ocuparem espaços socialmente definidos. O mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, é sinônimo da caminhada contínua das mulheres em prol de respeito e de uma sociedade justa e igualitária, em direitos e possibilidades. 

Por isso, a Humana Brasil separou para você acompanhar, um pouco da trajetória de mulheres inspiradoras e que representam muitas outras mulheres pelo mundo. Com suas histórias de superação e força, elas são um verdadeiro exemplo do que é ser mulher, todos os dias.

Presidente da Associação de Mulheres Campesinas de Serra do Ramalho, na Bahia, e participante de diversos projetos da Humana Brasil, Francisca Luiza é o retrato de nordestinas agricultoras que se fortalecem, unem-se e lutam pela defesa dos seus direitos e por melhores condições de atuação no campo, geração de emprego e renda.

A associação que Francisca administra, existe desde 2006 e hoje conta com a participação de 30 mulheres que trabalham com o desenvolvimento sustentável e ecológico. O grupo faz parte do Movimento Mulheres Camponesas e se empenha nas discussões sociais, buscando melhorias para a classe e participando de grandes eventos sociopolíticos, como a Marcha das Margaridas em Brasília, mobilização de trabalhadoras rurais que reivindica os direitos das mulheres no campo.

Francisca inspira outras mulheres no campo. As Mulheres Campesinas foi a primeira associação de Serra do Ramalho a conseguir acessar o Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, inserindo 41 agricultoras e atendendo a 1800 famílias dentro do município por meio da parceria com o CRAS.

Ela relata sobre a participação nos movimentos sociais como um fator que contribui para a união feminina e a conquista dos direitos da mulher no campo, como o acesso às políticas públicas e a visibilidade dos seus trabalhos. “É importante participarmos de movimentos sociais, pois isso nos une e a gente consegue avançar nos nossos direitos. Hoje a mulher rural está conseguindo acessar chamadas públicas e divulgar seu trabalho de forma digna parar gerar renda.” conta Francisca Luiza.

O seu retrato não representa somente as mulheres da associação, mas sim a luta e a resistência presente na história da independência das mulheres no país. Ser do campo é a inspiração que transmitem.

Enquanto na Bahia, as mulheres rurais se superam, no Mato Grosso do Sul, a situação não é diferente. Residente em Paraguassú, uma das maiores comunidades indígenas de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, Marli Romero, jovem de 28 anos, traz consigo todas as vivências de ser mulher, indígena, jovem e mãe no Brasil.

A realidade vivenciada que Marli nos contou, é o retrato de muitas outras mulheres indígenas espalhadas no Brasil, com muitas dificuldades, esforços e abdicações, mas também com muita superação no desafio de ser mãe jovem. A Humana Brasil faz parte dessa história com o Programa Cisternas, que mudou sua vida. “Antes eu levava 2 horas para buscar água para a minha família. Hoje tenho água potável em casa, uso da cisterna. Estou muito feliz! Desde então, tudo mudou. Agora, conseguir água é menos sofrido para nós, indígenas.” revela Marli. Durante anos, essa era a vida de Marli: três quilômetros de caminhada diárias para conseguir água para a sua família.

A Marli é mulher, é indígena, é mãe, é esposa, e em todas as suas versões, é força e determinação. Mulher que inspira.

As “mulheres do mar”, como assim são conhecidas as marisqueiras da Baía de Todos os Santos, são grandes representantes da pesca artesanal e, Iraildes Santana, ou Deda, como é popularmente conhecida, faz parte dessa história.

Deda é presidente da Cooperativa Repescar, um dos mais importantes centros para o processamento de pescados na Baía de Todos os Santos, localizado na comunidade de Baiacu, em Vera Cruz-BA. Com sorriso no rosto e gratidão no olhar, ela conta um pouco da sua história como marisqueira. “Herança de trabalho de família, de minha avó, de minha mãe. Eu fico grata por onde eu chegar, dizer que sou uma marisqueira. Comecei a mariscar com 8 anos, hoje com 42, sustento meus filhos através deste trabalho”, relatou. Desde então, Deda se dedica nos compromissos enquanto presidente da Repescar e vive da coleta de mariscos de acordo com a maré, entre chuva e sol, todos os dias.

Hoje, a Cooperativa Repescar está reestruturada, por meio do Projeto Bahia Produtiva, o que fortaleceu a atividade produtiva da pesca artesanal e beneficiamento dos pescados. Com lágrimas, finaliza. “Ninguém acreditava na Repescar, e hoje todo mundo acredita, todo mundo chega junto, todo mundo confia no que a gente faz”.

Sua história é espelho para centenas de marisqueiras em toda a Bahia e sua coragem de lutar, é uma fonte de inspiração.

A coragem, determinação, força e amor são os símbolos que remetem as mulheres em todas as suas vivências na sociedade brasileira. Dona Francisca, Marli e Deda são exemplos de muitos rostos que defendem a potencialidade do ser mulher no país.

Viva às mulheres!

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