
Desde julho de 2021, Salvador-BA conta com o Programa Vem Viver, que é realizado pela Humana Brasil com o intuito de reduzir a evasão escolar, garantir o direito à vida e diminuir a violência contra crianças e adolescentes. Na capital baiana, o projeto constitui-se como piloto e busca atingir o seu propósito por meio da educação, principal tática para a redução da letalidade infantojuvenil. A primeira etapa da iniciativa chega ao fim com o alcance de resultados positivos para dar continuidade em sua missão na próxima fase.
As escolas municipais Nossa Senhora Aparecida, localizada em Valéria, Maria Dolores, do bairro Tancredo Neves, Sociedade Tomé de Souza, Uruguai, e a Escola Municipal do Beiru, situada no Beiru, são as instituições educacionais que trabalharam nesta primeira fase ao lado da Humana Brasil. “O Projeto teve grande contribuição e influência na vida dos educandos, das suas famílias e das escolas”, diz a facilitadora Alane de Deus.
As áreas de abrangência do Programa possuem um alto índice de evasão escolar e insegurança territorial. Após o estudo dos territórios, foi a vez de executar nas escolas, metodologias integradas com estudantes, professores, famílias, órgãos públicos, dentre outros. “Cada história contada começou a ser reescrita e eu espero que a gente possa olhar para essas crianças e adolescentes entendendo as necessidades que elas têm de escolhas, os direitos e os deveres que temos de dar a elas para uma maior qualidade de vida. Juntos e juntas podemos fazer a diferença”, afirma Kátia Cordeiro, psicóloga e uma das consultoras da iniciativa.
Como funcionaram os planos Vem pra Rede, Vem pra Escola e Vem pra Vida?
Na primeira etapa, distintos planos foram trabalhados. No Vem pra Rede, aconteceram encontros com o objetivo de articular representantes do poder público e privado, a fim de integrarem o projeto-piloto. Como resultado, o Programa obteve a adesão do Parque Social e da Secretaria Municipal de Educação de Salvador (SMED), que agora, complementam a rede de apoio da iniciativa em prol das crianças e adolescentes.
Já no Plano Vem pra Escola, participaram todos os atores que compõem a comunidade escolar e os conselheiros tutelares. Durante essa estratégia, 55 professores participaram de capacitações com atividades híbridas que abrangeram dimensões da formação humana nos aspectos físicos, sociais, afetivos e relacionais, para serem aplicadas no contexto escolar.

Com as crianças da esfera primária, a equipe de facilitadores e consultores levou para a sala de aula, conteúdos voltados para os direitos e deveres, carreiras, capacidade socioemocional, família, além da produção de fanzines. A colaboração de cada criança e adolescente foi crucial para que as escolas pudessem envolvê-las de uma melhor forma na rotina educacional. No mesmo plano foram implementadas reuniões com os pais e responsáveis, com o objetivo de ressaltar como a dinâmica familiar pode impactar nas crianças e adolescentes. Ao todo, 296 famílias compareceram aos encontros.

O Vem pra Vida ocorreu por meio de formações com a comunidade, como representantes de organizações da sociedade civil, crianças e adolescentes, nas fases secundária e terciária com maior propensão ao abandono escolar, e as suas famílias. Nas formações para as crianças e adolescentes buscou-se o desenvolvimento de atividades lúdicas através de jogos, brincadeiras e formação audiovisual para os jovens.
Mais resultados e segunda etapa
Apesar dos desafios, incluindo o curto período de execução, resultados positivos foram alcançados. Nesta primeira etapa, 1703 estudantes foram impactados e 319 crianças e adolescentes envolveram-se em formações de capacidades socioemocionais. Além disso, 38 adolescentes foram encaminhados para programas de aprendizagem e 41 agentes de organizações da sociedade civil estiveram presentes nas formações da iniciativa.
A segunda fase foi iniciada em agosto e segue até novembro de 2022, com a missão de fortalecer a rede de proteção, contribuindo para que crianças e adolescentes possam continuar a ser incluídas em atividades de fortalecimento de vínculos e das capacidades socioemocionais.
“Esta etapa servirá para a realização de atividades de assessoramento e monitoramento, para acompanhar o encaminhamento de crianças e adolescentes na esfera secundária e terciária. Este encaminhamento vai acontecer de forma integrada, principalmente com Organizações da Sociedade Civil (OSCs), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Conselhos Tutelares”, afirma Bruno Muniz, Coordenador do projeto-piloto.
O Programa Vem Viver é uma iniciativa da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizado pela Humana Brasil, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Atuação Global, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Prefeitura de Salvador. A iniciativa conta também com o apoio do Parque Social e da Secretaria Municipal de Educação de Salvador (SMED).







